Tags

A Fundação Edge, uma associação que reúne intelectuais da ciência e da tecnologia, convidou 175 especialistas para responder a uma pergunta difícil: qual ideia científica está bloqueando o progresso da humanidade? As respostas, divulgadas ao longo de 2014, agora foram compiladas no livro This Idea Must Die (“Esta ideia deve morrer”, em tradução livre).

A revista Galileu selecionou 15 teorias da física, da medicina, da matemática e da psicologia que, na opinião de alguns dos mais brilhantes estudiosos do mundo, precisam ser enterradas para que a humanidade vá para a frente.

1. Livre-arbítrio

Quem matou? Jerry Cone, professor do departamento de ecologia e evolução na Univerisdade de Chicago.

“Escolhas são, por princípio, previsíveis pelas leis da física”, afirma Coyne. Experimentos mostram que a consciência de ter decidido algo é posterior à tomada de decisão. Você pode até argumentar que ninguém coloca uma arma na sua cabeça e ordena “compre sorvete de morango, não de baunilha”, mas, para o autor, os próprios sinais elétricos em nosso cérebro seriam as armas.

2. O universo

Quem matou? Seth Lloyd, professor de engenharia quântica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Vamos enfatizar esse “o” para que ninguém surte. Lloyd defende que, na realidade, existem vários universos – ou um multiverso –, cada um com suas próprias e diferentes leis da física e noções de tempo. Isso porque a cosmologia identificou uma época (bem anterior ao Big Bang) chamada inflação, em que o universo dobrou de tamanho milhares de vezes em uma fração de segundo, criando inúmeras bolhas. “O nosso próprio universo, infinito como é, não passa de uma bolha nesse grande mar inflacionado”, afirma o autor.

3. O infinito

Quem matou? Max Tegmark, físico e especialista em cosmologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Embora praticamente todas as teorias e leis da física sejam baseadas na ideia de que algo possa ser infinito, essa seria apenas uma aproximação conveniente. Segundo o autor, não existe evidência de que exista algo infinitamente pequeno ou grande. “Não precisamos do infinito para fazer física. Todas as simulações de computadores, que descrevem com precisão desde a formação das galáxias até a previsão do tempo de amanhã, usam recursos finitos tratando tudo como finito”, conclui Tegmark.

4. Quociente de inteligência

Quem matou? Scott Atran, antropólago do Centro de Pesquisa Científica de Paris.

“Não existe razão para acreditar que a medida de um quociente de inteligência de alguma forma reflita a capacidade de cognição da mente humana”, diz o antropólogo. Segundo ele, nada no mundo animal sugere a existência de uma seleção natural para a capacidade de realizar tarefas em geral. “O QI é só uma medida geral de raciocínio e categorização socialmente aceita”, reforça. Ou seja, varia de acordo com o que é mais valorizado em cada sociedade, e, se serve para alguma coisa, é para mostrar as diferenças socioculturais no mundo.

5. Tristeza é ruim, felicidade é boa

Quem matou? June Gruber, professora da Universidade do Colorado.

“Tristeza não tem fim, felicidade sim” – e isso pode ser bom para você. “Existem muitos trabalhos científicos que sugerem que emoções ruins são essenciais para nosso bem-estar psicológico”, defende June Gruber. Do ponto de vista evolutivo, a tristeza nos faz ficar atentos a problemas ou situações perigosas. Também ajuda a melhorar o foco e facilita uma visão analítica, enquanto felicidade demais nos torna egoístas e propensos a situações de risco. Mas ela não defende o fim da felicidade: o contexto de cada emoção é importante, e saber respeitá-las, em vez de suprimi-las, é a chave para o bem-estar psicológico.

As demais ideias você pode conferir no site do Galileu.
Basta clicar aqui.

*Fotografia: Reprodução.

Anúncios